Das manifestações que se desenrolaram ao longo da semana na Blue Zone, espaço destinado às reuniões oficiais, à comunicação da ONU dirigida à presidência da COP30, solicitando a implementação de medidas adequadas de segurança, a primeira semana da COP30, em Belém (PA), está se encerrando com progressos na agenda do evento, que visa a negociação de 145 itens considerados consensuais entre os participantes.
Contudo, fora do eixo das negociações oficiais, destacamos duas frentes do Brasil que ganharam destaque na primeira semana: a redefinição do agronegócio como ator central na sustentabilidade e o avanço estrutural do mercado de carbono brasileiro.
O agronegócio nacional marcou presença forte, buscando se fortalecer nas discussões sobre clima. A Embrapa Territorial, por exemplo, apresentou dados detalhados sobre o uso da terra no país, indicando que a agropecuária ocupa 31,3% do território, enquanto 65,6% são dedicados à vegetação nativa. Notavelmente, destacou-se que os próprios imóveis rurais são responsáveis pela preservação de uma área equivalente a 29% de todo o território nacional.
Nesta frente, o potencial do Cadastro Ambiental Rural (CAR) foi um pilar central. O sistema não foi apenas apresentado como um modelo de monitoramento a ser replicado, mas foi lançado oficialmente como o primeiro “Bem Público Digital” do Brasil. Na prática, isso significa que a tecnologia e a arquitetura do sistema serão disponibilizadas em formato livre, permitindo que outros países adaptem e utilizem a plataforma para sua própria gestão territorial e climática.
Paralelamente, foi anunciada uma iniciativa de recuperação de áreas degradadas com aporte inicial de R$ 30,2 bilhões, visando a restaurar até 3 milhões de hectares. No âmbito subnacional, foi anunciado um esforço conjunto para implementar soluções climáticas urbanas em 50 cidades brasileiras até 2027.
No âmbito econômico, o anúncio de maior repercussão foi a criação da Ecora, a primeira certificadora brasileira de créditos de carbono. A iniciativa, anunciada pelo BNDES, Bradesco e o Fundo Ecogreen, com apoio técnico da Aecom, visa a fortalecer a infraestrutura climática nacional.
Assim, a primeira semana da COP30 sinaliza um movimento pragmático, onde o Brasil busca capitalizar seus ativos ambientais com base em dados concretos e novas estruturas de mercado.
Referências:
https://agro.estadao.com.br/agro-na-cop30/veja-a-proposta-do-agronegocio-brasileiro-para-a-cop-30
https://brasil61.com/n/mapa-lidera-agenda-do-agro-sustentavel-na-cop-30-mapa250016
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