Em um contexto global em transformação do ponto de vista geopolítico — marcado por tensões comerciais, conflitos regionais e disputas energéticas —, seria difícil esperar que a COP30 resultasse em progressos significativos para a agenda climática global, apesar das elevadas expectativas em torno do evento. Como dizem aqueles que acompanham mais detidamente esses encontros, as COPs sempre entregam menos do que se espera. No entanto, é possível afirmar que o multilateralismo não falhou e diversos acordos importantes foram estabelecidos, conforme atestam vários especialistas na área. Destacam-se, entre esses acordos, a reafirmação do Acordo de Paris por muitos países, que mantiveram seus compromissos com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5° C; avanços no financiamento climático, com indicação de triplicar o financiamento para adaptação climática até 2035; pactos para acelerar investimentos em energias renováveis, maior engajamento das nações do Sul Global, propostas para justiça climática e um financiamento mais equitativo, entre outros.
Vale ressaltar que todas as críticas anteriores relacionadas às questões de hospedagem e tarifas elevadas — que são legítimas —, as quais certamente dificultaram a participação de diversas delegações, assim como os problemas de infraestrutura que surgiram durante o evento, foram, de certo modo, atenuadas e não ofuscaram a relevância e o esplendor de um evento dessa magnitude no coração da Amazônia, reforçando seu papel estratégico no debate climático mundial. O encanto de Belém, com suas riquezas e diversidade, por sua vez, contribui para essa relevância. De toda forma, todas as falhas devem ser apuradas e analisadas para evitar que situações semelhantes ocorram no futuro.
É importante destacar que muitos analistas apontam limitações no mecanismo das COPs, cuja base é a busca do consenso. Sozinho, esse modelo não é suficiente para acelerar a descarbonização e enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Por isso, é necessário pensar em estratégias complementares. Felizmente, temos visto iniciativas paralelas ganhando força e um crescente engajamento do setor privado, assim como de outros setores da nossa sociedade, em ações voltadas para essa pauta e para a construção do desenvolvimento sustentável.
Como nos temos dedicado nos últimos meses ao tema do Licenciamento Ambiental, os reflexos da derrubada de parte dos vetos presidenciais pelo Congresso Nacional serão analisados por nós para que possamos em breve compartilhar o nosso entendimento.
Finalmente, encontramos-nos quase no fim de 2025 e estamos nos preparando de maneira jubilosa para 2026, que simboliza a celebração de nossos 30 anos.
Édis Milaré