A cultura africana na cultura brasileira

30 de November de 2024

O negro trazido da África, escravizado, está presente no Brasil, segundo a maioria dos estudiosos, pelo menos desde 1550. Se em Portugal começou a deixar marcas com sua presença, a partir de 1335, o mesmo vai suceder com nosso país, a partir de 1550, mas em grau incomparavelmente maior, podendo-se afirmar que o rosto social e cultural do Brasil tem os traços do português, do indígena, e muito do elemento advindo da África.

Conforme muita gente pensa, bom número de negros que aqui chegaram escravizados não viviam em condições de plena barbárie; já praticavam a agricultura, criavam gado, já sabiam fundir metais, em especial o ferro, fiavam algodão, eram oleiros e nesse trabalho se revelavam muitas vezes artistas. Sua cultura, conhecimentos e técnicas foram transladados para o Brasil e aqui se fundiram com a cultura particular do português e do índio.

Conforme as regiões do País, essa mistura vai ganhar diferentes contornos, de modo que na Bahia, por exemplo, a cultura advinda da África, em certo tempo do Brasil colônia, chega a sobrepujar a portuguesa, e no final do século XIX o Rio de Janeiro pode ser considerado uma cidade marcantemente afra que vai ditar ao Brasil inteiro a cor mais forte de sua cultura popular sobretudo na música, com o lundum, o maxixe e o samba. E nos primeiros decênios do século XX se delineia a manifestação do Carnaval que, mesmo em seu início tendo o influxo do catolicismo, tornou-se o evento mais marcante das manifestações populares brasileiras.

A influência da cultura africana no Brasil está hoje bastante estudada, após muito tempo vista como desimportante e pouco digna de registro.

No entanto, não existe compreensão do Brasil sem levar em contar essa mistura, como se chegou a ela, como leva a situar o país nos destinos do mundo.

Em todas as partes do mundo se dá atenção especial à culinária; aqui, programas de gastronomia são abundantes hoje na televisão. Assunto vasto, em que “atores” de interesse especial são pratos conhecidíssimos como o acarajé, o vatapá, o munguzá, doces como a cocada.

Neste pequeno texto, pecaríamos se deixássemos de lembrar o precursor dos estudos sobre a influência africana na cultura brasileira, nome hoje pouco lembrado.

De fato, o livro Costumes africanos no Brasil, do baiano Manuel Querino (1851-1923), publicado em 1928 quando já falecera o autor, é a fonte primeira para quem desejar se aprofundar na matéria. Muito do que apareceu depois teve o apoio dos artigos de Manuel Querino, transformados em livro para a edição de 1928.

Em muitos aspectos, pode-se afirmar que a África também existe aqui. E bastante coisa trazida de lá com o escravizado impregna e continua impregnando o modo de ser brasileiro, sem que ele perceba. O Dia da Consciência Negra, hoje tornado feriado nacional, também aponta para a aceitação da importância da cultura africana no País.

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