COP17 da Desertificação: Financiamento, Metas e Impasses em Ulaanbaatar

1 de September de 2026

Realizada entre 17 e 28 de agosto de 2026 em Ulaanbaatar, na Mongólia, a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD) encerrou seus trabalhos sob o lema “Restaurando a Terra, Restaurando a Esperança” (“Restoring Land, Restoring Hope”, no original em inglês). O encontro reuniu representantes de quase 200 países, tendo como pano de fundo diagnósticos da própria UNCCD que apontam que cerca de 40% de toda a superfície terrestre do planeta já se encontra em processo de degradação devido a práticas agrícolas insustentáveis, desmatamento e eventos climáticos extremos — um cenário que ameaça a segurança alimentar, o abastecimento hídrico e a subsistência de bilhões de pessoas.

O principal avanço prático da conferência foi o anúncio de uma carteira de financiamento de US$ 1,3 bilhão voltada à recuperação de ecossistemas e ao combate à seca. O principal destaque foi a Rangelands Flagship Initiative, que mobilizou US$ 1,2 bilhão dedicado ao manejo sustentável e à conservação de pastagens e savanas, que cobrem mais de metade do território terrestre mundial e abrigam comunidades pastoris tradicionais. Também avançou a estruturação de instrumentos de blended finance para alavancar aplicações de capital privado, como o Fundo de Investimento em Resiliência à Seca (DRIF).

Por outro lado, no plano normativo, as negociações encontraram divergências: a proposta de criação de um tratado global vinculante sobre gestão proativa de secas — defendida pelo Grupo Africano e apoiada pelo Brasil — não obteve consenso diante da resistência de delegações de países desenvolvidos, postergando-se a definição de um marco multilateral para a COP18, prevista para 2028, no Egito.

Para o Brasil, a conferência fortaleceu a agenda de governança territorial. O país apresentou compromissos formais de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), estabelecendo a meta voluntária de recuperar 163 mil km² de solos degradados até 2030, prioritariamente na Caatinga, no Semiárido e no Cerrado. A medida reforça a centralidade da proteção de biomas vulneráveis e de povos tradicionais e posiciona o país estrategicamente para a captação de recursos globais voltados à sustentabilidade e à restauração ecológica.

Fontes Consultadas:
https://www.unccd.int/cop17
https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias-defeso-eleitoral/brasil-apresenta-meta-para-neutralidade-da-degradacao-da-terra-durante-cop-17-na-mongolia
https://climainfo.org.br/2026/08/26/combate-a-seca-ganha-fundo-para-atrair-capital-privado-na-cop17-da-desertificacao/
https://escolhas.org/a-cop-da-desertificacao-comecou-o-que-esta-em-jogo-na-mongolia/
https://wwf.panda.org/wwf_news/press_releases/?16207466/UNCCD-COP17-closing-statement

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