Por Rubens Silveira Neto e Lupércio Alves Cruz de Carvalho
O Estado da Bahia desponta como um dos maiores protagonistas da transição energética no Brasil, e sua contribuição vai além do fornecimento de energia limpa. Os projetos de energia renovável, em especial solar e eólica, estão reescrevendo a história socioeconômica do Semiárido, alavancando uma economia verde e sustentável que respeita a Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, e transforma a vida das comunidades que nele habitam.
A Caatinga, com seu clima desafiador e vastas extensões de terras, encontrou nos projetos de energia renovável uma nova vocação. O bioma, que muitas vezes enfrentou o estigma de ser improdutivo, tornou-se palco de grandes empreendimentos solares e eólicos, com impacto direto na economia de municípios, entre eles, Uibaí e Ibipeba.
Crescimento econômico e impacto nas finanças públicas
O crescimento econômico visto na região é evidente. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a arrecadação municipal de localidades com projetos de energia renovável registrou saltos expressivos. Em Uibaí, por exemplo, a receita tributária cresceu significativamente nos últimos 10 anos, com um aumento de 130%, e hoje já ultrapassa R$ 58 milhões. O PIB per capita anual saltou de menos de R$ 5 mil para mais de R$ 12,6 mil, após a instalação de parques eólicos e solares, permitindo investimentos em infraestrutura e qualidade de vida para a população.
Geração de empregos e fortalecimento social
Além disso, o impacto positivo não se limita às finanças públicas. A criação de empregos diretos e indiretos durante a construção e operação dos parques, aliada a programas de capacitação para as comunidades locais, têm reduzido a migração de trabalhadores para outras regiões, fortalecendo o tecido social e econômico da Caatinga. A região ganhou uma nova vocação, com efeitos socioeconômicos muito positivos.
Conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental
Um dos grandes méritos dos projetos de energia renovável na Bahia é a forma como conciliam desenvolvimento econômico e preservação ambiental. O licenciamento ambiental exigido para esses empreendimentos é técnico e rigoroso, o que garante que a fauna, a flora e os recursos hídricos da Caatinga sejam efetivamente protegidos.
Além disso, os parques eólicos e solares operam com baixíssimas emissões de carbono, o que também significa uma enorme contribuição para os esforços globais de mitigação das mudanças climáticas. É importante destacar que a conservação ambiental e a geração de energia limpa são os alicerces para a construção de um futuro mais sustentável.
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