Vista aérea das zonas úmidas do Pantanal, Brasil
Amanhã, dia 2 de fevereiro, celebra-se o Dia Mundial das Zonas Úmidas, que destaca a importância de proteção desses ecossistemas e reitera os compromissos estabelecidos na “Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional”, também conhecida como Convenção de Ramsar. Este acordo ambiental multilateral foi firmado por 18 países em 1971 na cidade de Ramsar, no Irã, e prevê ações para conservação e uso sustentável de Áreas Úmidas (AU) e seus recursos naturais, tidos como vitais para a sobrevivência humana. “Cerca de uma em cada oito pessoas no mundo obtém seus meios de subsistência por meio de áreas úmidas, além de se beneficiar do fornecimento de alimentos, abastecimento de água, transporte e lazer.”
O tema escolhido para o Dia Mundial das Zonas Úmidas de 2026, “Zonas Úmidas e Conhecimento Tradicional: Celebrando o Patrimônio Cultural”, destaca a importância das comunidades locais e do saber tradicional na gestão sustentável e na restauração desses ecossistemas. Essa abordagem integrada, que combina ciência, cultura e a relação com o território, é crucial para enfrentar o alarmante declínio das zonas úmidas e para fortalecer a resiliência dos sistemas naturais.

As zonas úmidas, conforme definidas pela Convenção, abrangem um vasto leque de ambientes, que vão desde lagos e rios, aquíferos subterrâneos, pântanos, charcos e turfas, até várzeas, oásis, estuários, deltas, manguezais, recifes de coral e outras áreas costeiras. Incluem também áreas modificadas pelo ser humano, como arrozais, tanques de peixes, reservatórios e salinas. Esses ecossistemas são fundamentais para a sobrevivência de uma rica diversidade de espécies da fauna e da flora, além de fornecerem uma série de “serviços ecossistêmicos” essenciais, como o abastecimento de água, controle de inundações, recarga das águas subterrâneas, sequestro de carbono e mitigação das alterações climáticas.
Contudo, a manutenção desses espaços é um desafio global. Com o objetivo de instituir mecanismos de cooperação internacional que auxiliem ações locais e nacionais, a Convenção de Ramsar, que entrou em vigor em 1975, determina uma série de obrigações para as partes contratantes. Ao se tornar signatário da Convenção, cabe ao país, como parte contratante, indicar zonas úmidas em seu território para compor a lista de Ramsar, comprometendo-se com a manutenção das características ecológicas e o uso
racional dessas áreas, que, em contrapartida, adquirem um novo status e o reconhecimento internacional, facilitando-lhes o acesso a financiamentos (de projetos e pesquisas) e acordos de cooperação.
O Brasil, desde sua adesão em 1993, e da promulgação do texto da Convenção em 1996 por decreto 1.905/96, constituiu 27 sítios de Ramsar, que totalizam uma superfície de 26.794.455 hectares, distribuídos por todas as regiões do país e envolvendo todos os biomas brasileiros, à exceção da caatinga. Dentre os 27 sítios, há cinco Áreas de Proteção Ambiental; nove Parques Nacionais; dois Parques Estaduais; três Estações Ecológicas; duas Reservas Biológicas; uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável; duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural; e três Sítios Ramsar Regionais.
Fontes consultadas: https://www.ramsar.org/
https://www.global-wetland-outlook.ramsar.org/
https://www.genevaenvironmentnetwork.org/events/world-wetlands-day-2026/
https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias/protegendo-as-zonas-umidas-para-o-nosso-futuro-comum-e-o-tema-do-dia-mundial-das-zonas-umidas-de-2025
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/areas-umidas/sitios-ramsar-brasileiros