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Milaré
junho 24, 2025

Maio de 2025 é o segundo mais quente já registrado, aponta Copernicus

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O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) da União Europeia anunciou que maio deste ano foi o segundo mais quente já registrado em escala global. A temperatura média do ar na superfície ficou 0,53°C acima da média de 1991-2020 e 1,40°C acima da média pré-industrial (1850-1900), interrompendo uma sequência de onze meses consecutivos de quebras dos recordes mensais de temperatura.

Apesar do ligeiro alívio, dado que as temperaturas não ultrapassaram o limiar de 1,5°C pela primeira vez em quase um ano, a tendência de aquecimento contínuo permanece inequívoca: o período de doze meses que vai de junho de 2024 a maio de 2025 registrou uma temperatura 1,57°C acima da média pré-industrial. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) corroborou os dados, classificando maio de 2025 também como o segundo mais quente em seus registros de 176 anos, com uma anomalia de 1,10°C acima da média do século XX.

Na Europa, o mês apresentou um cenário de contrastes. Enquanto o noroeste do continente enfrentou condições excepcionalmente secas, com os menores níveis de precipitação e umidade do solo desde 1979 em algumas áreas, o sul da Europa registrou chuvas acima da média. Essas condições secas persistentes levaram ao menor fluxo de rios na primavera em toda a Europa desde o início dos registros em 1992, gerando preocupações com a agricultura e o abastecimento de água.

Na América do Sul, as anomalias climáticas também foram notáveis. O continente teve seu oitavo mês de maio mais quente já registrado, segundo a NOAA. Temperaturas acima da média foram observadas em grande parte do Brasil, Bolívia e Paraguai. Em contraste, o sul do continente, incluindo partes da Argentina e do Chile, registrou temperaturas abaixo da média. O Brasil, em particular, continuou a sentir os efeitos de eventos climáticos extremos, com algumas regiões enfrentando um calor atípico para o período, enquanto outras áreas ainda se recuperavam de eventos de precipitação intensa ocorridos nos meses anteriores, evidenciando a crescente volatilidade do clima na região.

A temperatura da superfície do mar também permaneceu em níveis elevados, sendo a segunda mais alta para um mês de maio, com 20,79°C. Ondas de calor marinhas foram observadas em vastas áreas, especialmente no nordeste do Atlântico. Os dados de maio de 2025, apesar de não superarem o recorde de 2024, reforçam a urgência da crise climática. A interrupção da sequência de recordes mensais não sinaliza uma reversão da tendência de aquecimento global e serve, isto sim, como um novo alerta sobre a necessidade de ações imediatas e eficazes para a redução das emissões de gases de efeito estufa, em linha com os objetivos do Acordo de Paris.

Referências
https://climate.copernicus.eu/copernicus-exceptionally-dry-spring-parts-north-western-europe-second-warmest-may-globally
https://climate.copernicus.eu/second-warmest-may-globally-drywet-contrast-across-europe-spring
https://www.theguardian.com/environment/2025/jun/11/drought-fears-in-europe-amid-reports-may-was-worlds-second-hottest-ever
https://www.reuters.com/sustainability/cop/may-was-worlds-second-hottest-record-eu-scientists-say-2025-06-11/
https://www.ncei.noaa.gov/access/monitoring/monthly-report/global/202505

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