O Relatório sobre o Estado do Clima Global 2025, publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 23 de março de 2026, apresenta um cenário de desequilíbrio sem precedentes na história observada. Sob o lema “Observar Hoje para Proteger o Amanhã”, o documento sinaliza que todos os principais indicadores climáticos estão em alerta, consolidando o período entre 2015 e 2025 como os onze anos mais quentes já registrados. Embora o fenômeno La Niña tenha exercido um efeito de resfriamento temporário, o ano de 2025 registrou uma temperatura média global de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais, posicionando-se como o segundo ou terceiro ano mais quente (dependendo do data set), logo atrás do recorde histórico de 1,55°C estabelecido em 2024.
Uma das inovações centrais desta edição do relatório é a inclusão do desequilíbrio energético da Terra como indicador, revelando que o planeta está retendo calor em níveis recordes desde 1960, quando tiveram início as medições. A distribuição desse excedente de energia evidencia a vulnerabilidade dos sistemas naturais: os oceanos absorveram 91% do calor acumulado, atingindo novos recordes de conteúdo térmico em 2025. Enquanto isso, as massas terrestres retiveram 5% dessa energia e o derretimento acelerado de geleiras e camadas de gelo consumiu outros 3%. Apenas 1% desse calor permaneceu na atmosfera que sentimos na superfície, mas, embora possa parecer uma pequena parcela, foi suficiente para desestabilizar padrões climáticos e intensificar eventos extremos em todo o globo.
Esses efeitos manifestaram-se por meio de eventos extremos com severidade estatística superior à de décadas anteriores. A taxa de elevação do nível do mar, por exemplo, quase dobrou, saltando de uma média de 2,65 mm por ano (entre 1993 e 2011) para 4,75 mm por ano no período de 2012 a 2025. Em termos de criosfera, a extensão máxima do gelo marinho no Ártico em 2025 foi a menor desde que começaram os registros por satélites, atingindo apenas 14,19 milhões de km² (frente a uma média de 15,07 milhões de km²). Economicamente, a devastação se verificou em desastres como o Furacão Melissa, que causou perdas estimadas em US$ 60 bilhões no Caribe.
Paralelamente ao aumento térmico, as concentrações de gases de efeito estufa atingiram patamares alarmantes, com o dióxido de carbono e o metano chegando aos maiores níveis em pelo menos 800 mil anos. Esse cenário reflete-se em consequências humanas diretas e severas, incluindo o agravamento da insegurança alimentar, deslocamentos populacionais forçados e a expansão de doenças como a dengue, que agora ameaça metade da população mundial devido às mudanças nos padrões de chuva e calor. O secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou que este “caos climático” é um chamado urgente para que a comunidade internacional abandone a dependência de combustíveis fósseis.
Fontes consultadas:
https://wmo.int/news/media-centre/earths-climate-swings-increasingly-out-of-balance
https://sdg.iisd.org/news/wmo-flagship-highlights-earths-energy-imbalance/
https://www.climatecentre.org/16873/worldmetday-earths-climate-increasingly-unbalanced-says-world-meteorological-organization/
https://storymaps.arcgis.com/stories/4d50eeb069354888b0ccba346b141c6d
https://wmo.int/publication-series/state-of-global-climate/state-of-global-climate-2025
https://www.rmets.org/metmatters/state-global-climate-2025