O La Niña é um fenômeno climático-oceânico caracterizado pelo resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Com características opostas às do El Niño, ocorre em intervalos de dois a sete anos e costuma durar de nove a doze meses. Sua principal causa é a intensificação dos ventos alísios, que empurram as águas quentes da superfície para o oeste, permitindo que águas mais frias e profundas subam ao longo da costa da América do Sul, em um processo chamado ressurgência.

Essa alteração na temperatura do oceano modifica a circulação geral da atmosfera, provocando mudanças nos padrões de chuva e temperatura em escala global. No Brasil, os efeitos são distintos entre as regiões. Historicamente, o fenômeno está associado a chuvas mais regulares e abundantes no Norte e Nordeste, podendo causar enchentes e cheias de rios. Em contrapartida, a Região Sul tende a enfrentar períodos de seca e estiagem, com temperaturas elevadas, impactando diretamente setores cruciais da economia, como a agricultura e a geração de energia.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente a atuação do La Niña em 2025. As previsões indicam que o fenômeno, embora de fraca intensidade, deve persistir até o verão de 2026, sendo esperada uma transição para a neutralidade climática no primeiro trimestre de 2026. Os impactos esperados para o Brasil seguem o padrão histórico: tendência de chuvas acima da média para o Norte e Nordeste, períodos mais secos no Sul, e temperaturas mais amenas no Sudeste e Centro-Oeste.
É importante notar que a ocorrência do La Niña se insere em um contexto de aquecimento global acelerado, com 2024 tendo sido confirmado como o ano mais quente já registrado. Mesmo um evento de resfriamento como o La Niña não reverte a tendência de elevação das temperaturas médias globais. Diante deste cenário, o monitoramento contínuo e a adoção de estratégias de adaptação regionais permanecem essenciais para mitigar os impactos socioeconômicos do fenômeno.
Referências: