Água: Um Direito Fundamental do Homem

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ÁGUA: UM DIREITO FUNDAMENTAL DO HOMEM

Pela primeira vez no hemisfério sul, a capital de nosso país sediou, entre 18 e 23 de março, a 8ª edição do Fórum Mundial da Água, que ocorre a cada três anos, visando a discutir a importância desse precioso bem comum da sociedade mundial para a estabilidade das atuais e das próximas gerações.
Referido Fórum já passou por Daegu, na Coreia do Sul (2015), Marselha, na França (2012), Istambul, na Turquia (2009), Cidade do México, no México (2006), Kyoto, no Japão (2003), Haia, na Holanda (2000), e Marrakesh, no Marrocos (1997).

Participaram do evento cerca de três mil pessoas vindas de todas as nações, inclusive 12 chefes de Estado, 134 parlamentares e 70 ministros de 56 países, que apresentaram suas expectativas em relação ao acontecimento, no qual foram discutidos temas como segurança hídrica, gestão urbana da água, mudanças climáticas e acesso democrático aos recursos.

O evento propiciou discussões profundas sobre a alarmante situação do que acabou acontecendo com a Cidade do Cabo, na África do Sul, que, neste mês de abril entrou em total colapso, em razão de forte crise hídrica. Outras cidades em maior ou menor grau também correm um grande risco.

É o caso de nossa cidade de São Paulo, que nos obrigou a uma intensa campanha de economia d’água, por conta da estiagem da Reserva da Cantareira, que só saiu do “volume morte” em 2015. As autoridades se esqueceram, todavia, de um amplo planejamento que se inclina dia-a-dia a uma nova crise que pode ressurgir nos próximos anos.

Em Bangalore, na Índia, a centralização das atenções no mercado imobiliário fez o governo daquele município, como em todo o país, esquivar-se dos cuidados essenciais com a manutenção dos recursos hídricos e do saneamento básico daquela localidade, a qual desperdiça metade de sua água potável, necessitando de uma revisão tecnicamente prudente dos seus velhos e precários encanamentos.

Em Pequim, na China, registra-se um cenário de profunda escassez hídrica. Isto porque, em uma equação desumana , a China abriga 20% da população mundial, porém dispõe de apenas 7% de água doce do mundo , que, infelizmente, vê esse índice cair ainda mais.

O rio Nilo, principal fonte de abastecimento do Egito, tem 97% de suas águas poluídas por resíduos agrícolas e residenciais, sem quaisquer meios de tratamento. Daí figurar como o oitavo país do mundo por mortes resultantes da poluição.
Se um quarto das reservas de água doce do mundo está na Rússia, estaríamos “trocando gato por lebre”, pois o país enfrenta problemas agudos de poluição por conta do legado industrial da era soviética. Isso é especialmente preocupante para a capital, Moscou, onde 70% do abastecimento vem de reservas de superfície. Órgãos regulatórios afirmam que entre 40% e 60% de todas as reservas de água potável do país não atendem os padrões sanitários mínimos.

A situação piora cada vez mais, em todo o mundo, pelo fato de os aquíferos não serem reabastecidos pelas fortes chuvas, em razão de o concreto e o asfalto, indiscriminadamente utilizados no ambiente urbano, impedirem que a água penetre pelo solo.

A ausência de água não é um fator novo e extremamente surpreendente para os 21 milhões de habitantes da capital do México. Para um a cada cinco, as torneiras só funcionam por algumas horas por semana, e, para 20%, só há abastecimento em parte do dia. A realidade da segunda cidade mais populosa do mundo é de importar cerca de 40% da sua água de fontes distantes, mas não tem nenhuma operação de larga escala para reciclar água que já foi utilizada. Perdas por problemas na rede são estimadas em 40%.

Esses poucos exemplos servem para ilustrar a perigosa situação em que se encontram os mananciais em todo o mundo, e que bem justificam a oportunidade ímpar que teve o Brasil em sediar o oitavo Fórum Mundial da Água, encontro democrático e de ampla participação popular, que contribuiu para a conscientização de que o uso da água em quantidade e qualidade é uma responsabilidade de todos.

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Publicado em 06 de setembro de 2017

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